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A sarcárstica receita de um Spectro PDF Imprimir e-mail
Escrito por Miguel Martinez   
15-Out-2008
 

 Spectro em Quadrinhos

 

 

“Heavy Metal, personagens de filme de terror e problemas sociais. Junta tudo e dá um tempero só”.


No underground existem pessoas que se dedicam voluntariamente sem pensar em reconhecimento, sem passar por cima de ninguém, sem agir como um mercenário. Contribuindo para o desenvolvimento do cenário através de seu idealismo. Pois, apesar das dificuldades, continuam lutando por acreditar no movimento, levando em frente a bandeira do espírito “do it yourself”. Edson Mancuso é um exemplo perfeito desses guerreiros. Participou da formação de bandas como Putrefatus (grind/noise), Defuncorpse (black metal); publicou um fanzine (N. do E.: bem tosco, por sinal!) chamado “Holocausto dos Vermes”; apresenta o programa “Entrevista Amazônia”; está finalizando um vídeo documentário “Moradores de Rua” (para ser  exibido durante o Fórum Social Mundial, que será sediado em Belém do Pará). Mas, foi a partir da criação da personagem ‘Spectro’ que Mancuso passou a receber os incentivos que todos necessitam: credibilidade, propostas e oportunidades.


Como Spectro, Mancuso foi convidado para fazer parte da equipe do programa “Peso Pesado”, direcionado ao público Heavy Metal – uma verdadeira instituição paraense que possui 20 anos de atividades -; inspirou uma história em quadrinhos produzida pela Práxis Arte Estúdio; colaborou com um filme de animação “Monster of Metal”, idealizado pela ONG ambientalista Behavior (Noruega) e em breve, apresentará um programa na TV Cultura do Pará, previsto para janeiro, no horário de meia-noite às uma hora da madrugada (informações cedidas por Mancuso).


Aceitando uma sugestão de pauta, enviada por nossos leitores, o Index resolveu entrevistar Edson Mancuso, um sujeito produtivo, dono de várias idéias, muitos projetos e tantas realizações.


INDEX - O teu envolvimento com o underground sempre apresentou um caráter produtivo: banda, fanzine & programa de rádio. Ultimamente a tua prioridade passou a ser o peso pesado, qual o principal motivo?

 

 

MANCUSO

MANCUSO - O Peso Pesado é um programa que tem uma trajetória muito grande no Brasil, e tem ‘nome’...  O antigo apresentador,  Iram Paes,  convidou-me para fazer o Spectro,  com isso o Putrefatus já havia de morrer, o Defuncorpse, também. Aí, comecei a  seguir a linha de locutor amador, no caso do Spectro.  O Holocausto dos Vermes parou devido não ter mais enchente em Belém.  Devido a última enchente que teve foi porque surgiu o holocausto dos Vermes, e mesmo assim, também, foi pelo fato de eu começar a apresentar uma série de programas. Então, com isso a minha história com bandas acabou. Eu ainda tentei voltar com o Christorture, depois do problema que houve com a menina (N. do E.: Lúcia, ex-vocalista), convidaram-me para fazer o vocal, fiz um ensaio, mas depois peguei três semanas de garganta inflamada. A correria continua só como apresentador de programa.


INDEX - Tu já ouviste falar do “Kid Bujarú” (Rock da Silva) ou do “Vampiro da Meia – noite” criado pelo Jimmy Night ? A respeito da criação do personagem “Spectro”, quais as referências diretas e indiretas?


MANCUSO - Eu já ouvi falar nesses dois personagens, mas nunca cheguei a escutá-los. O Spectro surgiu pra falar de situações sociais, mas totalmente sarcásticas. Nada com o Spectro é levado a sério. E esses dois o Jimmy Night e o Kid Bujarú, os caras faziam um "trampo" muito legal, mas eu não tive oportunidade de acompanhar naquele período, só ouvi os comentários. Depois, sim, Contos da Cripta, que já existia a milhares de anos, e mais os personagens, que eu acho muito sarcásticos, que são envolvidos com voz, que fazem filmes de terror.  Pra mim isso é um ícone muito bom.  Pegar, fazer uma voz de filme de terror e misturar com problemas sociais, doenças, visagem, morte, guerras, segurança. Junta tudo e dá um tempero só.


INDEX - Como surgiu o convite para participar de um filme de animação?


MANCUSO - Foi no Peso Pesado ao vivo, no ano passado, no mês de agosto. Eu tava participando do programa  e uma pessoa ligou. Pensei até que fosse um trote! Eu ainda falei brincando: queime no inferno seu sacana! Mas, depois eu vi que a "parada" era séria. Os caras ligaram para minha casa no dia seguinte, conversaram naquele português, assim, bem arrastado, aí eu consegui entender a "parada", assinei um pré-contrato com eles. Mas a voz não foi nada gravada na Noruega como foi dito no jornal, foi gravado tudo lá no sudeste do Brasil.


INDEX - Foste consultado sobre a criação da ilustração da personagem?


MANCUSO - Quem criou a revistinha do Spectro foi o Edson Redivan. O interessante é que ele criou o rosto do Spectro pela voz, nunca aconteceu isso no mundo. Isso foi debatido num jornal em São Paulo. É interessante que quando tu vês o Spectro na revistinha, parece que tu tá ouvido a voz dele, que aquilo ali é totalmente sarcástico. É impressionante, não pelo fato do Spectro apresentar o Peso Pesado. Quem já viu o Spectro na revistinha e escuta a voz do Spectro, tudo casa legal. Eu não fui consultado, foi o Edson quem criou, e eu deixei livre para ele criar.


INDEX - No universo do metal muitas bandas acabam adotando um mascote – Mad Butcher (Destruction), Abóbora (Helloween), e o mais massificado de todos Eddie, The Monster (Iron Maiden), por exemplo – que termina obtendo tanto reconhecimento quanto os grupos que eles representam. Não te importas de seres superado pela tua criação?

 

    

SPECTRO

MANCUSO - (Risos)... Cara é interessante este lance porque tem duas histórias legais: agora tem muito convite pra eu fazer o lance do halloween. Mas todo mundo quer que o Spectro vá, ninguém quer que o Mancuso vá; E a outra história é que quando eu dou entrevista na mídia, os caras já falaram Mancuso, do Peso Pesado, é ele que faz a voz do Spectro. Mas, não. Spectro é Spectro, Mancuso é Mancuso. Essa que é a história.


INDEX - O Spectro continua identificado ao universo do Heavy Metal?


MANCUSO - O Spectro tem tudo a ver com o lance do Heavy Metal. O Spectro, na verdade, ele é o Heavy Metal, dentro da vertente do Black Metal. O Spectro surgiu de lá, mas ele já foi diferente, ele usa aquele radicalismo pro lado do sarcasmo, e transforma o radicalismo em soluções para problemas sociais, mas tudo na base do sarcasmo, falando dos problemas sociais com esse tom de voz agressiva que ele tem.


INDEX - Quais foram as maiores dificuldades na hora de colocar a voz na personagem?


MANCUSO - Cara é o tempo! O tempo é muito diferente de tu falar como Spectro. E tu chegar lá, e ver o personagem movendo os lábios e tu não saber o momento certo de entrar ali, confunde tudo. Tanto que pra eu colocar uma frase demorou 35 minutos. É complicado, mas eu consegui. Foi uma história legal!


INDEX - Tu disseste que aconteceram vários fatos extraordinários depois da criação do Spectro. Esses acontecimentos afetam tua vida particular?


MANCUSO - É o lance da menina do canal, realmente chamou atenção. Mas de lá pra cá, ainda bem que deu pra organizar tudo e superar. Foi um lance interessante, tu fazer uma voz que começou chamar atenção em 2004, e em 2006, uma meninazinha cai no canal. Existem muitas pessoas que dizem: olha quem foi que salvou! Quem foi que ajudou a menina sair do canal! Foi aquele cara que faz a voz do bicho, do Diabo!

 

Obituary:


Antes da conclusão desta matéria, recebemos a notícia, com pesar, que o Valhalla possui um novo morador: “Elevador”, passará a eternidade nos braços de sua merecida walkíria. Dedicamos ao saudoso amigo o clássico "Pomp and Circumstance" ( Accept - Death Row / 1994) .

 

Actualizado em ( 17-Out-2008 )
 
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