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Brutalidade e Inteligência: O Death Metal Pensante PDF Imprimir e-mail
Escrito por André Cavaignac   
13-Jan-2010

 

Olá Deathbangers! Como vão?


Esse texto que vem a seguir surge da necessidade de satisfazer a crescente curiosidade das pessoas em torno do conteúdo lírico da nossa demo, HOMO HOMINI LUPUS, e vem tentar expor, com um pouco mais de informações, os assuntos que cercam as idéias expostas nas letras, assim como a evolução dos temas tratados pelo nosso death metal nos últimos anos.

 

A música rápida, de cordas sujas e urgência na violência transmitida pelos sons, oriunda do final dos anos oitenta, nomeada death metal, no seu inicio tratada de assuntos inspirados em filmes trash. Vísceras e sangue eram figuras comumente usadas. Visto que na maioria dos componentes das bandas da época a faixa etária não passava dos vinte e poucos, não é de se admirar o fascínio infantil pelas fortes cenas gratuitas de podridão cinematográfica.

 

Hoje, bandas e públicos cresceram. Tem formação acadêmica, empregos e família. A busca é outra: música que satisfaça ouvidos e mente. Desde o saudoso CHUCK SCHULDINER, que no início dos anos noventa já acrescentava profundidade lírica no som do DEATH, até o death metal altamente conceitual com temas egípcios do NILE de KARL SANDERS. Isto denota a evolução intelectual dos que forjam e apreciam o obscuro metal da morte.

 

 

Nesse sentido, é importante ressaltar o caráter multimidiático que a música, em questão o death metal, possui atualmente. Além da agressividade do som, o esmero qual é feito as outras partes do trabalho – encartes, letras, apresentações de palco (cenários, vestimentas) – usando várias mídias (auditiva, escrita, visual) é complementar a uma mensagem muito mais complexa do que se absorve quando toma-se apenas um meio de comunicação. A densidade da mensagem é tamanha que a conduta pessoal dos que a transmitem é parte fundamental do sentido que a música toma.


É fácil citar exemplos de confusão quando se toma apenas uma parte da mensagem, perguntas banais como “pra quê essa zuada?” ou “por quê ele só urra e não canta?” são sentenças erroneamente proferidas por pessoas que tomam apenas uma via de comunicação para analisar o trabalho realizado pelas bandas. Quando tomados em separado não fazem sentido, quando tomados juntos todos os meios, eles se complementam formando uma mensagem. Aqueles que gostam das características do estilo, mas não sabem o porquê das ciosas, cometem erro semelhante.

 

Com o acumular das apresentações de divulgação da 2ª demo da MORTOS, pude reparar que muito gera curiosidade o conteúdo lírico da demo. O feedback após o show vem acompanhado de perguntas sobre as letras e os temas tratados na demo. Também é chamativo ao público o fato de ser uma demo conceitual, tendo suas músicas ligadas por um único tema: a condição do homem civilizado de manter comportamentos animalescos e selvagens.


A lírica da demo trata deste assunto, tratando, em cada música, de um comportamento do homem civilizado que pode ser caracterizado como uma atitude animal. A fé irracional em crenças ou governos; a necessidade de sobrepujar-se sobre o semelhante, em forma individual ou de nação; a existência do totalitarismo e os comportamentos da civilização obedecendo as leis naturais de DARWIN.


As letras tomaram de apoio os trabalhos de grandes filósofos da história. LEVIATÃ, o monstro bíblico, usado por THOMAS HOBBES para dissertar sobre a necessidade do homem de possuir algo a temer e obedecer fronte suas vontades instintivas. Esta relação é tema da faixa intitulada da demo. O discurso de ADOLF HITLER é usado como reforço histórico, a talvez a figura da história recente mais documentada que exemplifica as variadas facetas da selvageria humana: guerra, eugenia, fé cega. Não obstante a ele, exemplos de POL-POT, IDE AMIN DADA, STALIN e diversos outros ditadores.


O homem é lobo do homem.

 

Freud definiu assim a relação do homem com o seu semelhante, visto a necessidade instintiva do prazer e as conseqüências da frustração desses desejos animais. O homem tem em seu semelhante uma ferramenta para alcançar sua satisfação individual e egoísta, nem que para isso seja necessário o sacrifício de outro indivíduo. Quando civilizado, o homem não teme mais chuva, frio, onça, falta de comida. Vivendo em civilização, o homem se viu livre de inúmeras preocupações naturais, em contrapartida, tem apenas um inimigo: o próprio homem.

 

Sendo o homem um animal, é facilmente reconhecível seu comportamento civilizado regimentado pela lei da evolução das espécies de DARWIN. Tendo o surgimento das primeiras estruturas sedentárias neolíticas como uma necessidade de o homem – mamífero fraco e sensível aos predadores e mudanças climáticas – de superar obstáculos naturais, o nascimento da civilização vem como resposta evolutiva dfa espécie humana as intempéries. A lei de DARWIN continua regendo o comportamento do homem inteligente, sendo hoje o mais preparado a propagar suas informações genéticas, não o mais saudável ou adaptado, e sim o mais rico, perspicaz e influente.


Se certo ou errado, não é o papel da música, e consequentemente, da arte, definir. A arte é usada para provocar questionamentos sobre a realidade que nos cerca, levanta uma dúvida, uma discussão e cabe aos receptores da informação, aliado a vivência pessoal tirar conclusões sobre o tema. Não se pode acusar o Deathbanger que trata de vísceras de incentivar esquartejamentos. Culpa-se a arma pelo assassinato?


Desta forma, o rock como música de protesto vem desde os anos 50 promover a criticideda fronte a norma vigente, tendo seus subgêneros igual responsabilidade. Incluso o Death Metal.

 

Hail Death Metal!


www.myspace.com/mortosdeath

 

Actualizado em ( 13-Jan-2010 )
 
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